Jair Jussio

Entrevista concedida em 21/03/2013

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Por Anderson Brito
@AndersonBrito9

O PTD conversou com Jair Jussio, ex-diretor das categorias de base do Palmeiras. Jussio, que ocupou o cargo por dois anos, falou sobre a reformulação em curso na base, além de comentar as declarações do atual diretor-executivo do Palmeiras, José Carlos Brunoro.

Confira o bate papo:

Antes de você ser desligado do cargo, você chegou a ter alguma conversa com a nova diretoria para uma possível continuidade?

Tive uma conversa com a equipe do Brunoro que iria fazer um diagnóstico da situação do clube. Depois conversei com o Damiani (Erasmo), que se dizia funcionário do Brunoro para fazer este levantamento. Eu não sabia que ele (Damiani) assumiria o cargo que acabou assumindo.

Nesses dois anos comandando a base do Palmeiras, você acha que o saldo foi positivo? Por quê?

Acho que foi muito positivo pelas participações nos campeonatos, ganhamos três títulos: Copa Rio e Paulista sub-17 em 2011, este último após 34 anos. Fomos campeões brasileiros e vice-campeões paulistas sub-15 em 2012. Perdemos o paulista sub-15 nos critérios de desempate. Fomos o único clube com todas as categorias classificadas para as semifinais do campeonato paulista de 2012. Além do quinto lugar na Copa SP 2012 e terceiro em 2013. Em relação a revelar jogadores, hoje temos nove atletas da base inscritos na Libertadores,  se não me engano, desde 1958 a equipe principal não tinha tantos atletas da base.

E essa reformulação na base, você aprova?

Tinham algumas coisas que precisavam mudar, mas reformulação você faz quando está tudo errado, o que não era o caso. Acho normal quem está chegando querer implantar uma nova  filosofia de trabalho. Sem esquecer-se de valorizar os atletas.

Foram demitidos vários profissionais que trabalhavam com você, o que você achou dessas dispensas?

Precisava haver algumas mudanças, mas tínhamos ótimos profissionais, experientes, que poderiam ser mais bem avaliados.

O Brunoro, diretor executivo do Palmeiras deu a seguinte declaração em entrevista coletiva, veiculada  por diversos veículos e também pelo site oficial do Palmeiras:

“Vou dar um dado que é muito importante: 76% dos jogadores da base, a vitrine é do empresário e não do clube. Isso quer dizer que o empresário tem 70% do jogador e o outro tem 30%. Atualmente, não temos olheiros e uma equipe para buscar atletas. A gente acaba ficando por conta de indicações, temos de mudar isso.”

O que você tem a dizer sobre essa afirmação?

Os números não mentem, temos a media de 75% de direitos econômicos de todos os atletas, exceto alguns (7) com opção de compra. Nestes casos, o Palmeiras tem 20 a 25% de vitrine, caso sejam negociados. Além da preferência para adquirir mais um percentual, até ficar com 50%, se achar que vale a pena investir.

Brunoro falou também sobre os investidores que quiserem colocar atletas na base do Palmeiras:

“Investidor vai ter de jogar o jogo do clube. Se o investidor quiser ter jogador aqui, o jogo jogado é o do clube. Não tem de ter nenhum outro interesse. O que é melhor para o clube e o atleta, o investidor tem de entender que deve ser o melhor para ele também.”

Você acha viável essa postura?

Não posso responder esta pergunta, é a filosofia de trabalho dele, vamos aguardar.

Outro problema apontado pela nova administração é supostamente o fato de 37% dos jogadores no processo de formação, terem um percentual muito alto  sob controle de empresários, isto procede?

A fatia maior é do Palmeiras, os empresários acabam se acertando com os pais e compram a parte deles. E na hora de renovar contrato, o clube acaba cedendo mais um pouco, para não perder o atleta.

Foi falado também que existem quatro atletas que o Palmeiras não tem nem sequer 1% e, em um terço dos jogadores o Palmeiras tem apenas 30% de participação. Você confirma essa informação, veiculada na coluna do jornalista Paulo Vinícius Coelho?

Esta informação não procede, temos um único jogador que não temos percentual, mas está emprestado ao Palmeiras com opção de compra de 50% por um valor baixo. Trata-se de um atleta diferenciado.

Você acha possível conseguir bons jogadores para as categorias de base, sem atender as exigências dos investidores?

Sim, sem o clube não há investidores.

O que você achou do anúncio do fim das atividades do Palmeiras B?

Opção da nova diretoria, mas tenho minha opinião formada, todos os times da Europa têm equipe B. Lá eles também contratam jovens jogadores para a equipe B, com desempenho monitorado.

Quanto realmente custava por mês a manutenção dessa estrutura do time B?

Hoje no máximo 280 mil reais por mês.

Foto: Arquivo pessoal
 
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