Mauro Beting

Entrevista concedida em 12/12/2004

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Mauro Beting, colunista do jornal "Agora" e do portal AOL, comentarista esportivo da "TV Bandeirantes", "Rádio Bandeirantes" e Bandsports, tem, como todo mundo, o direito de torcer por um time, e ele torce pelo Verdão. Porém não se esquece de ser imparcial, o que a profissão lhe exige.

Confira abaixo, na entrevista EXCLUSIVA concedida ao PTD, alguns pensamentos de Mauro sobre o Palmeiras.

PTD - Como se tornou Palmeirense, influência paterna?

Mauro Beting - Herança genética. Além de uma questão de criação, de educação e, até (modestamente, como pessoa e como palmeirense) de inteligência. Afinal, quando se define o time de um torcedor, dos seis aos oito anos, não havia como não torcer por Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, César e Nei. Uma rima que era uma seleção. Mas não foi só influência paterna; é herança familiar, é determinismo histórico, é indução geográfica: a família, por parte de mãe, é italiana; por parte de pai, alemã, mas criada em região de italianos: logo, todos palestrinos. Grazie a Dio!

Mas é bom deixar claro: nunca tive dúvida em relação à minha paixão. Nunca me vi torcendo por outro time. Aliás, nunca tive um segundo time, em lugar algum. Se houvesse futebol em Marte, eu seria torcedor do Palestra marciano. Só torceria para que o presidente em Marte fosse outro. Ou, pensando bem, que fosse o mesmo do Palestra terráqueo.

PTD - O que você diz da queda para a Série-B em 2002?

Mauro Beting- Pegando o gancho da última frase. Começou pela mentalidade tacanha da direção, que deixou escapar Luxemburgo, não contratou grandes jogadores, apostou no ruim e barato, e transformou o Palmeiras em um time digno de Segunda categoria. Mas claro que o presidente não entra em campo e não caiu - até porque ele, normalmente, não vai ao campo, e não sabe o que acontece dentro dele. O time que vestiu a camisa do Palmeiras é o maior responsável. Não as bandeiras históricas como Marcos, como Sérgio, como alguns bons jogadores daquela equipe. Mas muitos que chegaram e não ficaram, brigaram com vários companheiros, e não estavam nem aí com o Palmeiras. Pareciam até aqueles que perpetuam essa situação (e que situação!) do clube.

PTD - Qual foi o melhor e o pior time do Verdão que você viu jogar?

Mauro Beting - Grazie a Dio e a Ademir da Guia, são muitos times maravilhosos: a segunda Academia, de 1972 a 1974, o Palmeiras de Telê, no segundo semestre de 1979 (aquele que ganhou os três turnos do Paulistão e nem à final chegou...), o Palmeiras que saiu da fila e tudo conquistou (1993-94), o trem-bola do primeiro semestre de 1996, o Palmeiras campeão da América com Felipão... difícil dizer. Se fosse para fazer um só time, escalaria Marcos Leão (qualquer um dos dois); Cafu, Antonio Carlos, Luís Pereira e Roberto Carlos; César Sampaio, Ademir da Guia e Alex; Edmundo, Evair e Rivaldo.

O pior é fácil: João Marcos (bom goleiro); Benazzi, Marquinhos, Darinta e Tonigato (Jaime Boni); Vítor Hugo, Sena (bom jogador) e Célio; Osni, Paulinho e Marquinho. O time-base da Taça de Prata de 1981.

PTD - Você considera a Libertadores o maior título já conquistado pelo Palmeiras?

Mauro Beting - É. Não foi mais emocionante que o 12 de junho de 1993, o fim da fila, mas é o mais importante. Não considero (de direito) a Copa Rio um título mundial. Mas, de fato, acabou sendo. Até porque quase todo o Brasil foi Palmeiras em 1951. Era uma revanche pelo Maracanazo. Nem o Santos de Pelé foi tão "brasileiro" quanto aquele Palmeiras.

Nem o Palmeiras que vestiu a camisa da Seleção Brasileira em 1965 foi tão nacional quanto aquele time. O clube que, nove anos antes da Copa Rio, foi obrigado a mudar de nome por conta de uma atitude totalitária dos que combatiam os fascistas italianos...

PTD - Quem é seu maior ídolo dentro da história do Palmeiras?

Mauro Beting - É uma verdadeira seleção. Quando garoto, e por ainda jogar como goleiro de pelada, era e sou fã do Leão. Como do Velloso, como do Marcos. A primeira pessoa que tremi na base (como adulto) ao encontrar foi Luís Pereira. Adorava o Leivinha. Mas como não se encantar com o Evair, por tudo que representou? Dudu, César Sampaio, Vagner Bacharel, o injustiçado Jorginho Putinatti? Edmundo. Rivaldo. Zinho. Antonio Carlos. Roberto Carlos. Alex. Cafu. Arce. É tanta gente boa, tanta gente nem tão boa assim.
Todos dignos para atuar ao lado de Ademir da Guia. Esse é imbatível. Como muitos dos Palmeiras que honrou com seu encanto.

PTD - Historicamente o São Paulo sempre foi nosso maior adversário, de uns tempos pra cá o Corinthians tomou esse posto. Para você, qual dois times já citados é hoje nosso maior rival?

Mauro Beting - Hoje, o maior rival é o presidente do Palmeiras. Fora ele, mezzo a mezzo. Quando era moleque, até pela fila corintiana, o mais difícil adversário era o São Paulo - como voltaria a ser no início dos anos 90. Depois, passou a ser o Corinthians, que tudo ganhou nos últimos anos. Agora, digamos assim, está equilibrado. Mas, historicamente, o mais difícil time a ser vencido é o São Paulo.

O Corinthians é o principal rival, mas é o time que nos deixou sair da fila em 1993, e o time que continuou na fila por nossa conta, em 1974. No frigir das bolas: o Palmeiras é freguês do São Paulo, que é freguês do Corinthians, que é o freguês do Palmeiras.

PTD - Já são quatro anos sem título! (Excluindo a Série-B) Você tem medo de uma nova "fila"?

Mauro Beting - Exatamente neste momento, domingo, dia 12 de dezembro, vejo melhor o futuro. Há uma parceria engatilhada. Mas só posso responder a essa pergunta em fevereiro de 2005.

PTD - Qual foi sua maior decepção em 2004?

Mauro Beting - Também respondo em alguns dias.

PTD - Como palmeirense que é, você acredita que o Verdão possa melhorar em 2005? O que deve ser feito para que isto aconteça?

Mauro Beting - Também passo esta resposta. Vai depender dos próximos acontecimentos. Estou mais confiante. É o que posso adiantar.

PTD - Você considera o técnico Estevam Soares o mais indicado para dirigir o clube em 2005?

Mauro Beting - Pelo elenco que existe no Palmeiras (se ainda não entrou em férias), Estevam é um bom nome. Mas é preciso saber como ele irá trabalhar com um elenco melhor.

PTD - Em relação às eleições no clube, você também defende a tese que o Mustafá tem que sair? Por quê?

Mauro Beting - Não acho que ele tenha de sair. Já não deveria ter entrado. Como presidente de um clube social, de médio porte, ele é um ótimo nome. Mas como presidente de um clube internacionalmente conhecido pelo futebol, não é possível não gostar, não entender e não querer investir em um time profissional. Não é possível pensar pequeno em um enorme clube como o Palmeiras.

PTD  - Se a resposta foi sim na questão anterior, que nome indicaria para ser o novo presidente do Palmeiras e o porque apostaria nesse nome.


Mauro Beting - Até Alberto Dualib não seria um mau nome. Mas não é preciso escrever que Luiz Gonzaga Belluzzo é o melhor para o Palmeiras. E não de hoje.

PTD - Por fim, deixe um recado pra galera do Palmeiras Todo Dia.

Mauro Beting - Parabéns pelo time, pela paixão, pelo site, e pela paciência em me aturar. Como bons palestrinos, vamos torcer para que o Palmeiras mude. Para que ele continue o mesmo Palmeiras de sempre.

Mauro Beting, a equipe do Palmeiras Todo Dia agradece a gentileza de ter nos concedido esta entrevista, e até a próxima!

 
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