Por Eduardo Luiz, da Redação PTD - 14/09/2009 - 13:47h.
Especial Por Dentro do Palmeiras

Na noite de 10 de setembro de 2009, representantes de sites e blogs Palmeirenses foram convidados pela diretoria do Palmeiras a participarem de uma apresentação, onde foi explicado com detalhes o funcionamento do departamento de futebol do clube.

O encontro aconteceu no Hotel Golden Tulip, onde o time costuma ficar concentrado. Marcos Biazotto, Savério Orlandi, Genaro Marino, Toninho Cecílio e Gilberto Cipullo foram os palestrantes.

O Palmeiras Todo Dia foi representado por Junior Gottardi, um de nossos colunistas. Abaixo, divididos por categorias, destacamos os principais pontos apresentados.



- Estrutura

Em fevereiro deste ano o Palmeiras contratou um profissional muito capacitado e conceituado para gerir o chamado futebol amador.

Marcos Biazotto, formado em Educação Física e Pedagogia, com Pós-Graduação em Psico-sociologia e com passagens de sucesso por Paulista e Atlético/PR, assumiu o cargo de coordenador da base. A partir da sua chegada o clube revolucionou o departamento; hoje os garotos da base contam com:

- Assistentes Sociais
- Psicóloga
- 5 médicos
- Fisiologistas
- Fisioterapeutas
- Nutricionista
- Dois advogados
- Alojamento para 50 atletas
- Segurança privada
- Refeitório
- Plano de Saúde
- Parcerias com escolas

Mesmo com toda essa estrutura os garotos ainda têm um problema: o alojamento da base fica ao lado do Palestra Itália, já os campos de treinamentos estão na chamada Academia II, na distante Guarulhos.

Usando recursos da Lei do Incentivo Fiscal, a diretoria construirá (num local ainda indefinido) um novo CT para comportar em um só lugar toda estrutura necessária para treinamento (campo, alojamento, refeitório, piscina, academia, etc.).

- Nas quatro linhas

Dentro de campo os garotos passam um criterioso processo de seleção e avaliação.

Existem dois métodos para um jogador ingressar na base do Palmeiras: através de indicação de um dos vários olheiros que o clube tem espalhados pelo país ou através de parceiros, clubes formadores que receberão sua "recompensa" apenas em uma negociação futura (sempre entre 10 ou 20%).

Uma vez selecionado e/ou indicado, o garoto não passa a integrar imediatamente a base do Verdão. Em uma semana, num processo seletivo que é filmado inclusive, os atletas são submetidos a testes físicos, médicos, de inteligência, velocidade, habilidade motora, dentre outros. Passada essa etapa, o jogador é entregue ao técnico de sua respectiva categoria e fica a cargo do mesmo manter ou não novo candidato a craque Palmeirense.

Dentro da lei: o Palmeiras é um dos poucos clubes brasileiros que respeitam uma determinação do ECA (estatuto da criança e adolescente), que só permite a jogadores com 14 anos completos ficarem em alojamento.

Planejamento futuro: o profissionalismo do departamento é tamanho que o clube poderá selecionar, num futuro não muito distante, jogadores por características específicas. Exemplo: atacantes e meias "brotam" na região nordeste. Bons zagueiros são costumeiramente oriundos do Sul, mesma região que oferece uma gama maior de atletas que conseguirão no futuro o passaporte europeu, facilitando e valorizando uma negociação futura.

Reconhecimento: o projeto é tão respeitável que o clube está em vias de firmar parceria com a UNICEF. Apenas o Barcelona, em todo mundo, tem parceria semelhante.

Criando laços: os jogadores da base são incentivados a cantarem o hino do Palmeiras. Além disso, eles visitam a sala de troféus e sempre que possível assistem a jogos e treinos do elenco profissional. A intenção é estreitar os laços entre atleta e clube.



O Palmeiras tem dois projetos ligados diretamente à contratação de jogadores e montagem do elenco; são eles: PROAM (Programa de Observação e Antecipação ao Mercado) e CIP (Centro de Informação e Pesquisa).

O PROAM consiste em observar jogadores que se destaquem em todas as divisões do futebol brasileiro. O clube conta atualmente com aproximadamente 7 olheiros, profissionais remunerados, que têm a tarefa de indicar possíveis reforços. Nenhum jogador é contratado por DVD, que é apenas uma espécie de apresentação do candidato a reforço. Passado pelo crivo dos diretores, um dos olheiros viaja para observar o jogador de perto, após esse passo é feito um relatório e fica a cargo da diretoria de futebol contratar ou não o jogador.

Em outra fase ainda a ser implementada, o projeto contará com ex-jogadores do Palmeiras, que espalhados pelo Brasil (nas cidades onde moram), indicarão jogadores.

Já o CIP consiste em monitorar atletas que atuam no exterior. O clube conta com um banco de dados completo, que indica quando o jogador saiu, como ele está jogando, em qual país ele está atuando, qual é o seu salário, quantos cartões amarelos recebe em média por ano, quem é seu procurador, quantas vezes ele se contundiu, dentre outras informações úteis. A intenção é minimizar erros em uma possível contratação.

Em outra fase do projeto, o clube pretende ampliar o monitoramento para os principais países sul-americanos. Atualmente o banco de dados conta com informações de jogadores que saíram do Brasil a partir de 2005.

- Time B

O Time B passou a ser usado apenas para receber jogadores de 18 a 20 anos - não mais que isso. Esses atletas estarão na última etapa antes de serem promovidos ao elenco profissional.



Muito se ouve falar que o Palmeiras gasta muito com o departamento de futebol. É verdade. Os gastos porém são compatíveis com o que um clube que pretende ser campeão deve gastar. Para suprir as despesas, o faturamento do clube cresceu na mesma proporção.

Só com bilheteria o faturamento do Verdão subiu de R$3,5 milhões em 2006 para R$9 milhões em 2009 (contando apenas jogos do Brasileirão). Em todos jogos como mandante, o aumento foi ainda maior. De R$7,5 milhões em 2007 subiu para R$17,5 milhões em 2008. A expectativa para 2009 é de R$21milhões.

A receita oriunda apenas do futebol (direitos de TV, bilheteria, patrocínio e fornecedor de material esportivo) cresce ano a ano. Confira abaixo.

2007 > R$42 milhões
2008 > R$64 milhões
2009 > R$83 milhões (previsão)

Nota: os R$ 83 milhões previstos para 2009 ainda não contam como novas ações de marketing nem com a receita que será gerada com o novo programa de sócio torcedor, a ser lançado ainda este ano.

- Dívida

Hoje o Verdão tem uma dívida real de R$38 milhões, valor considerado "administrável" pela cúpula alviverde. Se comparado com dívidas de outros clubes de São Paulo e principalmente Rio de Janeiro, percebemos que a diretoria tem razão...

Nota: quando a atual gestão assumiu, o endividamento do clube já era superior a R$20 milhões.

- Venda de jogadores

Não se faz futebol no Brasil sem vender jogadores. Palavras de Gilberto Cipullo, vice-presidente do Palmeiras. O dirigente exemplificou sua afirmação com números.

Em 2005 o clube (futebol + área social) teve um prejuízo de R$570 mil. Sem a venda de jogadores o valor seria R$13 milhões.

Em 2006 o clube teve um prejuízo de R$37 milhões; seria R$47 milhões sem vender atletas.

Em 2007 o futebol teve lucro de R$2,9 milhões, já o clube teve  prejuízo de 24 milhões.

Em 2008, com uma receita de R$112 milhões e com despesas na casa de R$ 103 milhões, houve um superávit de R$9,2 milhões, mas a área social amargou um prejuízo de R$9,4 milhões.



Como toda parceria, há um lado positivo e negativo no acordo entre Palmeiras e Traffic. Os positivos são:

- Jogadores de nível de seleção são contratados, o que não aconteceria sem o aporte financeiro de um investidor;

- O clube passa a ter uma fonte alternativa de receita, uma vez que na venda de um atleta o Palmeiras fica com 20% do lucro;

- Com um time disputando títulos, a exposição na mídia é maior; resultado: patrocínios mais rentáveis;

- Um bom time leva a torcida em maior número ao estádio, logo a bilheteria cresce;

Nota:  não há qualquer tipo de ingerência da Traffic no futebol do Palmeiras. Cabe única e exclusivamente ao técnico a escalação dos jogadores.

Importante lembrar: o acordo entre Palmeiras e Traffic é oficial, não oficioso como é, por exemplo, o de Carlos Leite com o Corinthians e o de Juan Figer com o São Paulo.

Já os pontos negativos são poucos, mas existem:

- O investidor quer dinheiro, logo o craque contratado uma hora terá de deixar o clube;

- Supervalorização nos valores pedidos pelos clubes que negociam com a Traffic, muitas vezes isso dificulta o negócio;

- Como o parceiro mira jovens talentos, algumas contratações podem não vingar, caso por exemplo de Marquinhos.

Eduardo Luiz
Com informações de Junior Gottardi
Equipe Palmeiras Todo Dia
O Site Oficial do Torcedor Palmeirense!

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Deixamos registrado o agradecimento pelo convite ao assessor Fabio Finelli, aos seus demais companheiros (Marcelo, Helder e Jairo) e à toda diretoria de futebol.

 
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