Por Eduardo Luiz, da Redação PTD - 10/01/2010 - 10:49h.
Muricy abre o jogo

O técnico Muricy Ramalho prometeu, em entrevista ao Jornal da Tarde, que não deixará o Palmeiras sem conquistar pelo menos um título.

O treinador revelou que foi sondado para sair do Verdão, mas nem quis ouvir as propostas: "Convites não chegam diretamente até mim porque sabem da minha linha, se tenho contrato, não converso. Eu tenho esse pensamento de cumprir meu contrato. E não ganhei aqui, agora eu quero ganhar. De qualquer jeito, vou sair daqui com um título".

Muricy ainda voltou a afirmar que o Palmeiras está negociando com reforços de categoria: "São jogadores bons, com um nível diferenciado, caros e difíceis de conversar, por isso vão demorar um pouquinho para chegar".

Confira abaixo a entrevista na íntegra:
_________

O que tem ouvido do torcedor do Palmeiras nas ruas?

O tratamento é de esperança, de um novo time, uma nova formação. A torcida aposta na continuidade do trabalho, então está sendo muito bom.

Após a perda do título, alguns jogadores foram hostilizados, mas você tem sido poupado. Por quê?

Se estivesse na Inglaterra, seria muito mais festejado do que sou aqui. Em 2005, fui vice-campeão, depois ganhei três campeonatos e no ano passado eu briguei pelo título até a última rodada. E tenho de escutar conversa mole de vocês, jornalistas. O torcedor ouve ou lê vocês, mas não acredita muito no que vocês falam. Eles veem que a gente é uma possibilidade de técnico que pode trabalhar para eles, que pode melhorar o time, que é realmente o meu perfil. Não fico me defendendo. Perdemos, legal, pode meter porrada aí. Por isso, quando é a minha vez (de falar) tem de aguentar, porque dou porrada também. Poderia ter saído do Palmeiras, mas não saí porque não sou esse tipo de pessoa.

Pensou em sair?

Não, mas acontece que sempre existem convites ou consultas. Convites não chegam diretamente até mim porque sabem da minha linha, se tenho contrato, não converso. Eu tenho esse pensamento de cumprir meu contrato. E não ganhei aqui, agora eu quero ganhar. De qualquer jeito, vou sair daqui com um título.

Tem opinado na montagem do time?

O jogador a ser contratado tem de ser como eu acho. Eu que vou treinar, então tem de ser do jeito que eu penso. São jogadores bons, com um nível diferenciado, caros e difíceis de conversar, por isso vão demorar um pouquinho para chegar. O Kléber interessa, já jogou aqui, gosta do clube, a torcida gosta dele. E é um baita jogador, o que é o principal, muito bom. Mas difícil de trazer, muito caro.

Qual é o perfil do meia que você quer?

Meia é difícil de achar no mercado. Um canhoto, número 10. A nossa dificuldade no ano passado é que o time só tinha destros. O ideal, e que mostrou interesse em voltar, é o Douglas (ex-Corinthians), mas depois de uns 15 dias voltou a jogar bem e decidiu que não voltaria mais. Então a gente já deixou de lado, não dá para ficar esperando.

É possível começar o Campeonato Paulista com todos os reforços?

Existe a possibilidade, estamos conversando há muito tempo. Não são muitos jogadores. A gente vai qualificar o elenco, mas no time titular é pouca gente para vir. Temos uma base muito boa.

Com o Edinho, o grupo terá oito volantes. Não é muito?

Temos muitos agora, mas pode chegar a semana que vem e nós termos apenas dois ou três.

Tem gente saindo?

As pessoas não têm paciência, é preciso esperar um pouco. Estamos com problema na parte defensiva, só temos três zagueiros - num time de futebol o mínimo é cinco. Mas a principal preocupação é achar um camisa 9 e um 10. Se o Love sair, a gente fica sem um homem de frente.

Você se preocupa com a vida pessoal dos jogadores?

Um técnico já é muito chato no dia a dia, porque cobra treinamento, cobra horário, concentração. Se usa brinco, boné, cabelo comprido, celular, isso não me interessa. É igual a marido e mulher, se você não tiver uma folga, não aguenta ficar junto da pessoa três anos. Não tenho manias. Agora, tem a coisa do (preparo) físico. Se tiver alguma coisa extra-campo que estiver prejudicando o time, esse (jogador) não tenha dúvida de que será chamado para conversar. Mas hoje o nível está bom para lidar, há pouco jogador que abusa nesse sentido.

No Palmeiras, houve algum problema?

Em relação a comportamento, não. Até me surpreendi com alguns em relação a horários e bons treinamentos.

Como reagiu ao episódio de violência que envolveu Vagner Love?

Fazia muito tempo que não via uma situação dessas. Foi um fato isolado, sei lá. Temos de ver o lado do próprio torcedor, que quer ver o time ser campeão. Eles se encontraram de cabeça quente, um fala uma coisa e outro responde outra. Acho que foi mais isso. Mas o jogador, profissionalmente aqui com a gente, foi muito correto. O Vagner Love é até uma surpresa muito agradável, porque a gente tem uma ideia de que, porque usa o cabelo assim, é rebelde. Que nada... Estava aqui sempre no horário, às vezes antes dos outros, treinava pra caramba. Pode não ter rendido, mas isso é uma outra coisa.

Você fez uma autocrítica e analisou no que você errou em 2009?

Isso acontece com todo técnico, só não acontece com comentarista de TV, que nunca erra. Mas meu trabalho continua muito constante, porque não pode um time de futebol no Brasileirão ficar 20 rodadas na frente e o trabalho do treinador ser ruim. Impossível. E, com as dificuldades que nós tivemos com jogadores, volto a repetir: o trabalho foi bom, sim, mas no Brasil ou você ganha ou você é um desastre.

Sente pressão por resultados?

A pressão não sei onde está. Para ter pressão tem de vir aqui falar para mim, me pressionar. É porque eu trabalho no CT, trabalho e volto para minha casa. Nem quando o time ganha vou comer pizza com alguém, nem quando perde. Vou comer na minha casa. Então, não tem como me pressionar. Eu tenho um contrato.

Há rumores de que o vice presidente de futebol, Gilberto Cipullo, tem restrições ao seu trabalho. Como é sua relação com ele?

Outra fofoca também. No Palmeiras tem essas coisinhas. O cara com quem eu mais converso é ele (Cipullo), sobre jogador. Mas no Palmeiras tem essas coisas raras, muito esquisitas. Dizem que não converso com ele, que estamos brigados. Como, se eu estou todo dia com ele? Eu, quando não gosto do cara, é ruim, viu? Nem cumprimento. Só converso sobre o time com o Toninho (Cecílio, dirigente de futebol), Cipullo e o presidente Belluzzo. É umas das mentiras que escrevem e não se pode falar nada. Falam da pressão, do Cipullo e até da Traffic. Pô, brigo com todo mundo e estou aqui ainda? Se tivesse brigado com eles já não estaria aqui fazia tempo.

A torcida pode esperar um nome forte?

Se está demorando e se sair do jeito que a gente está pensado, é porque é um nome forte mesmo. Se você quiser, consegue contratar qualquer um, nos oferecem mil jogadores por dia. Os caras estão pensando que a gente vai ter um time mais ou menos, mas vamos ter um time mais forte do que o do ano passado.

Já estão definidos os nomes?

Sim, se estamos conversando, é porque já temos nomes. Só que o Palmeiras está fazendo o correto. Como o foco está muito nos outros times, com todo aquele barulho, está sendo bom. Estamos vindo pelos lados. Mas com certeza a gente vai vir muito forte para esta temporada, as pessoas podem esperar isso.

Diego Souza pode sair?

Claro que existe consulta, mas não existe proposta. É nosso jogador mais importante, o melhor do Campeonato Brasileiro, foi há pouco para a Seleção Brasileira.
_________

Eduardo Luiz
eduardoluiz@palmeirastododia.com

 
Palmeiras Todo Dia | O Site Oficial do Torcedor Palmeirense!
 
Palmeiras Todo Dia - O Site Oficial do Torcedor Palmeirense!