A FACA DE DUAS LÂMINAS (28/09/2018)
 


A riqueza da história palestrina permite a seus torcedores os mais diversos sentimentos. Aquele que me parece o mais peculiar é o inconformismo.

Tal característica permite-nos questionar a realidade dos fatos. Algo como "podemos mais".

Ao mesmo tempo, o inconformismo é bom. Ele não nos deixa reféns do comodismo.

Entretanto, a outra face da moeda tem um valor surreal. É a faca de duas lâminas, que corta profundamente, dificultando o estancar de sangue.

Escrevi no "twitter" há dois dias atrás: "Faz parte de nossa cultura buscar responsáveis para nossos insucessos. Os oportunistas surgem das sombras e fazem a apologia do fracasso visando seu crescimento eleitoral".

Amigo leitor, se você acha que falei sobre a política interna do clube acertou em cheio.

"A política é a arte de costurar acordos", mas também é "a arte de desfazer as tramas do tecido". Ambos dependem das intenções de quem propõe.

Assim sendo, há aqueles que se calam e aguardam o momento oportuno para manifestar-se - com os quais solidarizo-me -, diferente de outros que não pensam duas vezes para por fogo no ambiente. Contudo, entre eles há o "boi de piranha", lutador das batalhas que não lhe pertencem.

O inconformismo, instrumento legitimador das contestações do torcedor, quando utilizado de forma errônea é prejudicial. Navega em águas políticas do mais obscuro oportunismo. Não enxerga méritos na vitória do concorrente ou entende que os únicos que podem comemorar são aqueles que pertencem a seu grupo.

E pensar que estamos vivos em duas competições, embora pareça que nossa sorte esteja selada. Até"Scolari" virou um "velho chato".

Enquanto não nos acertarmos interiormente, aprendendo que o comprometimento é parte integrante de um processo maior, que abriga clube, profissionais e torcedores, e que o passionalismo não tem mais espaço no futebol contemporâneo, continuaremos a ser desrespeitados até em cenas isoladas, como o caso das meninas palmeirenses acuadas por torcidas inimigas.

Afinal, se não nos respeitamos, quem o fará?



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O escritor e colunista Catedral de Luz nasceu na turbulenta década de 60 e adquiriu valores entre as décadas de 70 e 80 que muito marcaram sua personalidade, tais como Palmeiras, Beatles, Letras, Espiritismo e História... Amizades... Esposa e Filha.

Os anos 90 ensinaram-lhe os atalhos, restando ao novo século a retomada da lira poesia perdidas.

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