ADEUS (28/03/2010)
 



O meu amor pelo PALMEIRAS irá até o dia do meu último suspiro, quem sabe, até após dele.

Este amor prevalece entre os meus sentimentos mais relevantes.

Quando me lembro do PALMEIRAS, meus olhos marejam com lágrimas saudosas, cujas gotas expressam cada lembrança de tantos bons momentos que esse Clube propiciou, elas também expressam os momentos de tristeza, em que a lealdade de alguns com o PALMEIRAS jamais foi sub-rogada por qualquer coisa que pudesse servir de estepe e, finalmente, elas também exprimem a tristeza pela sua ausência.

Outro dia, vi uma caravana repleta de torcedores corintianos, todos radiantes de felicidade, com um sorriso de uma orelha até a outra. E pensar que um dia seus antepassados choravam de tristeza enquanto os Palmeirenses sorriam das alegrias, a cada título, a cada triunfo sobre o time deles. Era uma rotina, simplesmente mera rotina, como em duas Copas Libertadores seguidas, apenas para exemplificar.

Não tive o privilégio de assistir a Arrancada Heróica de 1942, quando os jogadores sãopaulinos fugiram de campo para não sofrerem uma sonora goleada, que era iminente, pelo recém nascido PALMEIRAS. Foi um momento mágico que nem todos os títulos mundiais do São Paulo FC, se somados, valem por aquela conquista impagável e inesquecível.

Não tive, também, o privilégio de ver o PALMEIRAS ser o único clube a fazer frente, sem o menor temor, ao Santos FC de Pelé, que por mais de dez anos foi considerado o maior time do mundo. Era contra o Santos que o PALMEIRAS mais acumulava vitórias, a ponto dele ser o time que o amado ALVIVERDE mais venceu, enquanto pode.

Não tive, também, o privilégio de testemunhar a conquista da Copa Rio, em 1951, organizada pela FIFA, com o mesmo status de Campeão Mundial de Interclubes, seja lá qual fosse a decisão da entidade máxima do futebol em não reconhecê-lo. Pouco importa, pois para a posteridade ALVIVERDE teve o valor de um legítimo título mundial.

Há tanto mais o que dizer, que não caberia em uma só semana, um só mês ou um só ano, mas, não posso deixar de ressaltar que o então PALMEIRAS foi o único clube brasileiro a representar oficialmente a Seleção Brasileira no ano de 1965, na gigantesca vitória por 3x0 sobre a então fortíssima seleção do Uruguai. Infelizmente também não tive o privilégio de vivenciar esse nobre acontecimento.

Mas para minha tristeza, eu tive o privilégio de não testemunhar o que de pior aconteceu com o meu eterno, querido e platônico PALMEIRAS, quando o vírus da discórdia contaminou grande parte das mentes do Palestra Itália e que acabou por não tardar em contagiar grande parte dos torcedores.

Infestado por esse vírus maligno, cada um resolveu trilhar o seu próprio caminho, com o seu próprio “modus operandi”, sem pensar que a soma das forças, o poder de uma única aliança, em direção de um mesmo caminho, poderia ter levado à tão sonhada luz do fim do túnel.

Prevaleceram as vaidades pessoais, a arrogância, a insensatez, a soberba e as ameaças de agressão e até de morte entre os próprios irmãos de SANGUE VERDE.

E a mesquinha disputa pelo poder, arrebatou o principal dos poderes, o poder da S. E. PALMEIRAS, o de sempre impor temor e respeito aos seus adversários e inimigos, graças à então predominância da união entre os irmãos PALESTRINOS.

Dizia o meu avô que em sua época seria mais fácil um tal de “Casal Nardoni” saltar por livre e espontânea vontade da cobertura do majestoso Edifício Itália, sem paraquedas, do que somarem forças dentro e fora do Palestra Itália para o bem da sobrevivência ESMERALDINA.

Hoje o PALMEIRAS é apenas ouvido por sons ou visto por meio de fotos e imagens preservadas por colecionadores, historiadores ou nostálgicos admiradores.

Infelizmente eu não tive esse privilégio para a felicidade e alívio dos meus filhos, sobrinhos e amigos, que são corintianos, sãopaulinos, santistas, etc.

E ao som do inesquecível Hino da S. E. PALMEIRAS, sob um forte sentimento de emoção e tédio, aqui me despeço de todos.

Meu nome é inconseqüente, pois represento o amor por um clube já extinto.

Adeus.

Em 26 de agosto de 2042.


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