Relembre abaixo os
principais acontecimentos da temporada.
2010 começou sob a
desconfiança da torcida, afinal em 2009 o time
havia perdido o título do Brasileirão nas
últimas 10 rodadas. Apesar do fracasso, a
diretoria optou por não demitir o técnico Muricy
Ramalho.
No primeiro jogo do ano,
contra o Mogi Mirim
pelo Paulistão, o
Palmeiras aplicou
uma goleada
por 5 a 1, animando a torcida que
lotou o Palestra Itália. A empolgação, porém,
morreu na rodada inicial. Nos jogos seguintes,
contra Barueri e Ituano, dois empates frustraram
o torcedor, que receberam uma pequena amostra do
que aconteceria no restante da temporada.
Nos sete jogos que vieram a seguir, o Verdão
conquistou apenas 3 vitórias, sendo que uma
delas foi contra o modesto Flamengo do Paiauí
pela estreia da Copa do Brasil. Quando o décimo
jogo do ano foi completado, explodiu a primeira
crise, vitimando o técnico Muricy Ramalho.
No dia 17
de fevereiro, uma quarta-feira, o Palmeiras recebeu o São
Caetano pelo Campeonato Paulista e foi humilhado: 4 a 1. Na
tarde do dia seguinte Muricy já havia sido despedido e
poucas horas depois o seu substituto já havia sido
anunciado: tratava-se de Antônio Carlos Zago, treinador do
carrasco São Caetano.
Antônio
Carlos assumiu a equipe numa sexta-feira e no domingo já
enfrentaria seu primeiro desafio: o clássico contra o São
Paulo, no Palestra Itália. Com uma boa atuação de Robert, o
Verdão venceu por 2 a 0 e voltou a dar esperanças ao
torcedor, que gritou o nome do novo treinador.
O
ânimo da torcida com a vitória no clássico durou
pouco tempo novamente. No quarto jogo sob o comando
de Zago, o Palmeiras voltou a ser goleado em casa,
desta vez pelo vizinho do São Caetano, o Santo
André.
Ao contrário do que fez com Muricy, desta vez a
diretoria
optou por
não demitir Zago para contratar o treinador oponente. A
decisão teve resultado imediato, pois foram conquistadas
três vitórias seguidas, sendo duas delas marcantes
para o torcedor.
Contra o
Sertãozinho, o Verdão venceu de virada por 3 a 2 com dois
gols de Cleiton Xavier nos minutos finais (o gol da vitória
aconteceu no último segundo da partida). Na rodada seguinte
seria a vez do então "poderoso" Santos provar a esquisitice
do time Palmeirense.
Jogando na Vila Belmiro contra o então líder, que
revelou craques como Neymar e Ganso, além de contar
com Robinho em seu elenco, o Verdão saiu perdendo
por 2 a 0. A goleada parecia iminente, mas de
repente, pouco antes do intervalo, aconteceu a
inesperada reação: Robert, duas vezes em dois
minutos, decretou o empate.
Na etapa
final o Verdão voltou com o ânimo revigorado e foi atrás da
virada. Diego Souza fez o gol que ninguém acreditava. Com 3
a 2 no placar, o time de Zago recuou e acabou cedendo a
igualdade ao Santos, mas outra vez o Palmeiras surpreendeu e
conseguiu fazer o gol da incrível vitória com Robert. Os 4 a
3 voltaram a dar ânimo à torcida, que passou a ter em Robert
um novo herói, afinal em dois clássicos o atacante
havia anotado 5 gols.
A essa altura da temporada, o Palmeiras ainda encontrava-se
mal na classificação do Paulistão e já tinha passado de duas
fases na Copa do Brasil, ao eliminar Flamengo-PI e Paysandu,
garantindo vaga nas oitavas de final para enfrentar o
Atlético-PR.
Antes de iniciar a disputa com o Atlético-PR pela
competição nacional, o Verdão conheceu sua pior
colocação na história do Paulistão. Depois da épica
vitória sobre o Santos, o time de Zago não conseguiu
derrotar mais ninguém. Em 5 jogos foram 2 derrotas
(para Ponte Preta e Paulista) e 3 empates (com Rio
Branco, Mirassol e Oeste),
que renderam ao Palmeiras a vergonhosa 11a
posição na
classificação final.
O primeiro
grande vexame do ano estava concretizado, mas o primeiro
semestre ainda poderia ser salvo com a Copa do Brasil.
O duelo contra o Atlético-PR foi marcado por um lamentável
episódio de injúria racial envolvendo os zagueiros Danilo e
Manoel. Em meio à confusão, o Verdão conseguiu a
classificação com uma vitória (1 a 0 em casa) e um empate (1
a 1 em Curitiba). Nas quartas de final outro Atlético pela
frente, o Goianiense.
Em tese, o rival das quartas de final seria mais fácil que o
rival da fase anterior, mas na prática o que se viu foi um
confronto equilibrado pela ruindade, onde as duas equipes
sempre se mostraram mais preocupadas em não sofrer gols ao
invés de fazer.
No
primeiro jogo das quartas de final, realizado no
Palestra Itália, o Palmeiras só conseguiu furar a
retranca da equipe goiana aos 48 minutos do segundo
tempo com um gol de pênalti de Cleiton Xavier.
Na semana seguinte, o time de Antônio Carlos
precisava apenas de um empate para se classificar,
e
foi nisso que o treinador resolveu apostar ao
escalar uma equipe extremamente cautelosa. A
covardia foi castigada com um gol do Atlético aos 25
minutos da etapa final. O novo 1 a 0, dessa vez a
favor do rival, levou a decisão para as cobranças de
pênaltis. Novo show de horrores. Pelo Palmeiras, apenas Ewerthon não
desperdiçou. Danilo, Figueroa, Ivo e Cleiton Xavier
cobraram muito mal. O Atlético não ficou atrás, uma
vez que São Marcos defendeu as cobranças de Marcão, Róbston e Juninho,
mas Márcio e Elias converteram e classificaram o
Atlético para a semifinal da Copa do Brasil (o
placar das penalidades foi um dos - senão o mais ridículo da
história do futebol: 2 a 1).
Com a eliminação precoce da Copa do Brasil, estava
confirmado o segundo vexame Palmeirense na
temporada. E mal sabia a torcida o quando ela ainda
iria sofrer...
Três dias depois
da queda na Copa do Brasil, estava marcada a estreia
do Brasileirão. Com um gol de Lincoln, o Palmeiras
venceu o Vitória por 1 a 0, mas na segunda rodada
explodiu uma nova crise, e dessa vez o técnico
Antônio Carlos Zago não resistiu, dando lugar a
Jorge Parraga, oriundo do time-B.
A queda de Zago foi anunciada
pela diretoria após o empate em 0 x 0 com o Vasco em São
Januário, mas a demissão do treinador não aconteceu em
função de mais uma péssima apresentação, e sim por um
episódio que também culminou com a dispensa do atacante
Robert. Treinador e atleta se desentenderam no ônibus que
levaria a delegação Palmeirense do hotel ao aeroporto; houve
suspeita de agressão física, não confirmada, mas mesmo assim
foi o fim da linha para ambos.
Restava ao Palmeiras mais 6 jogos antes da parada da Copa do
Mundo. Sem opções no mercado, a diretoria resolveu manter
Parraga de forma interina. Sob o comando do treinador, o
Verdão conquistou uma vitória (4 a 2 sobre o Grêmio), dois
empates (contra Prudente e Inter) e duas derrotas (para São
Paulo e Flamengo).
Quando o Brasileirão foi interrompido
para a disputa da Copa da África, o Verdão amargava a décima
colocação com 9 pontos, e metade do ano já havia sido jogado
no lixo.
A pausa para o mundial fez
a diretoria Palmeirense trabalhar, e a volta de três sonhos
de consumo da torcida foram traçados como meta: Felipão,
Kleber e Valdivia.
Após muita negociação com o Cruzeiro, no dia 02 de junho a contratação de
Kleber foi anunciada. Apenas 11 dias depois, outra bomba: o
técnico Luiz Felipe Scolari divulgou através de sua
assessoria de imprensa que havia aceitado o convite da
cúpula alviverde, confirmando o retorno ao clube após 10
anos. Foi o suficiente para a torcida se encher de
esperanças novamente.
Enquanto trabalhava como comentarista da Copa para
uma TV Sul-Africana, Felipão também se preocupava em
reforçar o Palmeiras. O treinador se reuniu com a
diretoria da Traffic e solicitou as permanências dos
meias
Diego Souza e Cleiton Xavier, mas ouviu como
resposta um "não". Diego foi negociado com o
Atlético-MG, já Cleiton Xavier se despediu rumo ao
inexpressivo Metalist, da Ucrânia.
Sem meias no elenco, começava outra novela: os boatos sobre
a volta de Valdivia eram cada vez mais frequentes, mas antes
da sua chegada ser concretizada, em julho, o Brasileirão
recomeçaria.
No primeiro jogo após o mundial, o Verdão foi comandado por
Flavio Murtosa, auxiliar de Felipão, que havia sido
apresentado oficialmente um dia antes, na Academia de
Futebol. Empurrado pela torcida, que foi em grande número ao
Pacaembu, o Palmeiras derrotou o Santos por 2 a 1, não
permitindo aos líderes que se distanciassem ainda mais.
A estreia oficial de Felipão ocorreria no domingo seguinte,
em Florianópolis contra o Avaí. Após sair na frente com gol
de Gabriel Silva, o Verdão cedeu a virada, buscou o empate
mas nos acréscimos vacilou e acabou sofrendo mais dois gols.
Scolari demoraria 6 jogos para conhecer sua primeira
vitória.
Durante a "seca", porém, a torcida enfim pôde comemorar a
volta do Mago Valdivia. Na noite do dia 26 de julho, uma
segunda-feira, o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo anunciou a
contratação do chileno. "Foi mais uma batalha vencida" disse
o presidente, na ocasião.
No jogo que antecedeu o primeiro triunfo de Felipão, (diante
do Atlético-PR, por 2 a 0), o Verdão estreou na Copa
Sul-Americana contra o Vitória, em Salvador. Jogando mal, o
time de Scolari foi derrotado por 2 a 0 e ficou numa
situação complicadíssima para avançar às oitavas de final da
competição, afinal precisaria vencer por pelo menos três
gols de diferença. E foi o que aconteceu.
Com gols de Tadeu, o Verdão abriu 2 a 0 e ficou na
dependência de mais um para reverter uma desvantagem
que muitos davam como irreversível. Quando todos já
esperavam as penalidades, Gabriel Silva sofreu
falta na intermediária e o volante Marcos Assunção
pediu para bater. A bola foi no ângulo direito de
Viáfara e explodiu o Pacaembu.
A espetacular classificação na Sul-Americana revigorou o
ânimo da torcida e do próprio time, que voltaria a jogar
pela competição continental apenas 50 dias depois. Até
enfrentar o Universitário de Sucre, o Verdão realizaria 15
jogos pelo Brasileirão. A arrancada na classificação,
esperada por todos, acabou não acontecendo. Tropeços
inesperados, contra Guarani (0 x 0), Atlético-GO (0 x 3),
Cruzeiro (2 x 3), Vasco (0 x 0) e São Paulo (0 x 2) fizeram
a equipe de Felipão permanecer no meio da tabela,
praticamente sepultando as chances de disputar uma vaga no
G4.
Em 14 de outubro, data do primeiro jogo contra o
Universitário, o técnico Luiz Felipe Scolari já havia
diagnosticado que o elenco Palmeirense não seria capaz de
disputar no mesmo nível o Brasileirão e a Sul-Americana, foi
quando em conjunto com a diretoria, optou por priorizar a
competição internacional, que de forma inédita daria ao
campeão uma vaga na Libertadores em 2011. A Sul-Americana, a
partir de então, foi eleita como prioridade para o restante
da temporada.
O modesto Universitário não ofereceu qualquer resistência ao
Palmeiras, que se classificou com duas vitórias (1 a 0 na
Bolívia e 3 a 1 em São Paulo). O duelo de Sucre, porém,
marcou a primeira vez que Valdivia sentiu a fibrose
na coxa esquerda. A lesão acabou tirando o Mago dos
jogos seguintes. Ele ainda tentou
atuar em algumas partidas, mas sempre acabava
substituído, fato que gerou uma lamentável polêmica
entre a imprensa e Felipão, contornada pouco tempo
depois.
O rival das quartas de final
foi o Atlético-MG, que estava lutando desesperadamente
contra o rebaixamento no Brasileirão, motivo que o fez
escalar um time misto nos dois confrontos. Em Minas, um
empate em 1 a 1 deixou o Palmeiras mais perto da vaga. No
Pacaembu, mesmo sem apresentar grande futebol, o time de Felipão venceu por 2 a 0 e foi à semifinal. O adversário
seria o Goiás, outra equipe que lutava contra o rebaixamento
no nacional.
No primeiro duelo, realizado em Goiânia, o Palmeiras não se
esforçou muito para vencer por 1 a 0, golaço de Marcos
Assunção. Em São Paulo o Verdão poderia até empatar para
voltar à disputar uma final de um campeonato internacional
depois de dez anos. Com gol de Luan, o Palmeiras fez 1 a 0 e
ampliou a vantagem, para delírio dos quase 40 mil torcedores
que abarrotaram o Pacaembu. A presença na decisão era dada
como certa por 99,99% dos presentes ao estádio até que aos
47 minutos da etapa inicial o árbitro assinalou falta para o
Goiás na entrada da área. Marcelo Costa cobrou, a bola
explodiu na trave mas na sequência do lance Carlos Alberto
decretou a igualdade, nocauteando a torcida e o time.
Mesmo com o empate dando a vaga ao Palmeiras,
os jogadores voltaram para o segundo tempo
já derrotados. O segundo gol do Goiás
parecia questão de tempo, mas quis o destino
que fosse aos 38 minutos, para castigar
ainda mais a torcida. Com os 2 a 1 no
placar, o Goiás tratou de recuar e esperar
o apito final do juiz, para desespero
de milhões de Palmeirenses espalhados
pelo
mundo. O baque foi grande demais. Como uma vaga na
final de um campeonato importante foi escapar de
maneira tão fácil e cruel?
Fora do campeonato que
elegeu como prioritário, não restava mais nada ao Palmeiras
no ano. Os últimos dois jogos do Brasileirão, contra
Fluminense e Cruzeiro foram marcados pela polêmica
envolvendo uma suposta facilitação de resultado, afinal os
dois eram rivais diretos do Corinthians na disputa do
título. Por coincidência (ou não), o time de Felipão acabou
sendo derrotado por 2 a 1
nos dois confrontos, despedindo-se de
maneira melancólica de 2010, um ano cheio de altos e baixos,
e que ficou marcado por diversas expectativas positivas que não se
confirmaram.
Com a palavra, Felipão. Em entrevista ao site
oficial, concedida em 05/12, o treinador destacou os pontos
positivos e negativos da temporada:
"Acho que de positivo, ainda que tenha uma parte negativa,
foi o planejamento de chegar à final da Copa Sul-Americana.
Perdemos essa decisão jogando em casa, onde o nosso torcedor
foi fantástico, mas ficamos devendo esse resultado, pois
chegar à final era aquilo que tínhamos planejado quando
chegamos. Já a parte negativa foram algumas atuações nossas,
principalmente no Campeonato Brasileiro, onde tínhamos a
oportunidade de chegar em determinada posição junto com os
quatro ou cinco primeiros e sempre dávamos um passo em
falso, demonstrando falta de qualidade nossa ou erro de
todos nós no sentido de alcançar o objetivo final. Isso é
uma coisa que precisamos modificar. Precisamos modificar a
mentalidade que, mesmo com as derrotas, achamos que as
coisas foram bem feitas. Sabemos que algumas coisas foram
bem, outras não, mas minha parte eu assumo, nós assumimos, e
gostaria que os atletas também assumem a parte deles. Ano
que vem queremos começar com o pé direito e terminar o ano
com o pé direito".
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Fora das quatro linhas: Fora de campo, o
que mais deixou a torcida satisfeita foi o começo
das obras da Arena Palestra Itália. Para se despedir
do antigo estádio, a diretoria agendeu um amistoso contra o
Boca Juniors. A partida foi realizada em 09 de julho
e a equipe argentina acabou vencendo por 2 a 0.
Na esfera política, novamente o Palmeiras viveu um ano
conturbado. No começo da temporada o então gerente de
futebol, Toninho Cecílio, foi demitido junto do técnico
Muricy Ramalho.
No segundo semestre o presidente Luiz Gonzaga
Belluzzo teve de passar por uma cirurgia no coração,
se licenciando do cargo por 2 meses. Aproveitando-se
da situação, o vice-presidente Salvador Hugo Palaia
aplicou um golpe e destituiu toda diretoria de
futebol, formando um conselho gestor.
No dia 25 de novembro, Belluzzo voltou da licença mas optou
por não desfazer o que Palaia havia feito, mantendo o
conselho gestor.
No começo de dezembro, Salvador Hugo Palaia, pela situação,
Arnaldo Tirone, pela oposição, e Paulo Nobre, independente,
lançaram suas candidaturas à presidência do clube. A eleição
está marcada para o dia 16 de janeiro.
Abaixo em imagens, personagens
positivos e negativos de 2010.
Eduardo Luiz
Equipe Palmeiras Todo Dia
O Site Oficial do Torcedor Palmeirense