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XVII – O Novo Ano

Janeiro de 2006; Palmeiras trintão sobra no Paulista. Entre os quatro grandes de São Paulo, é o Clube com mais jogadores acima de 30 anos que lidera o estadual: cinco vitórias em cinco jogos. Dos até agora titulares, estão Ricardinho, 30; Paulo Baier, 31; Marcos e Daniel, 32; Edmundo e Gamarra, 34. O goleiro reserva Sérgio, com 35; Juninho Paulista (que se recupera de contusão) e Gioino, ambos com 32, completam o time dos ‘experientes’.

Contra o Deportivo Táchira (VEN), pela Libertadores, foi feita a lição de casa. Apesar dos 2x0 no placar, Leão não pareceu satisfeito com o que viu. Depois de ter dito na reapresentação, ainda em dezembro, que iria trabalhar com “ponta de estoque”, negando haver craques na equipe, o treinador voltou à carga na coletiva pós-jogo: "não dá para exigir 10 de um time que só pode dar nota 5". Os jogadores evitaram polêmica e consideraram a cobrança “normal”.

Aos seis reforços (Paulo Baier, Amaral, Márcio Careca, Enílton, Ricardinho e Douglas) soma-se outro zagueiro. Valdomiro, 27, chega do Santo André para um período de testes de quatro meses. Para fechar o ciclo, avaliam os diretores, só falta atender a um pedido de Leão: o “matador de peso”. Fora de campo, mas também indicado pelo técnico, a novidade é o assessor de imprensa José Izaías para assumir o lugar de Primo Ribeiro.

XVIII – A Obsessão

Fevereiro de 2006; título é palavra de ordem. A necessidade de exibir a faixa de campeão, ainda este ano, é unanimidade entre diretoria, comissão técnica e elenco. A conquista da extinta Copa dos Campeões, última taça relevante, completará seis anos em julho. Os investimentos feitos em 2005, mais de R$ 13 milhões (somados às contratações, gastos com salários e premiações), precisam render resultados.

Aliados próximos a Mustafá questionam, além do custo/beneficio da gestão atual, o poder concedido ao treinador. Creem que ele reverteu a demissão do técnico dos juniores, Zé Mário. Crispim foi destituído e, sem razão aparente, readmitido em seguida. A contratação do goleiro Alexandre (Comercial), agenciado por Paulo Francez, amigo de Leão, também é contestada. A negociação foi desfeita depois que o time do interior reclamou à FPF o ‘roubo’ do atleta.

Farpas são trocadas entre cartolas ligados a Contursi e Palaia, mas o ex-presidente e Della Monica reiteram que permanecem unidos. A falta de vitórias (derrota para o São Paulo seguida por três empates: dois no estadual, um na Libertadores) conturba o ambiente. Pós-clássico, Marcos e Edmundo criticam os colegas; em Campinas, Leão troca empurrões e cotoveladas com repórteres; Marcinho e Enílton discutem e trocam cabeçadas no triunfo contra o Noroeste.


"Sempre disse que montaríamos um time para ser campeão em 2006. E sinto que seremos."

De PALAIA, diretor de Futebol do Palmeiras



XIX – O Começo do Fim

Março de 2006; menos um. O Palmeiras despede-se do estadual, contra o Paulista, há duas rodadas do fim. O Clube, que já entrou no Jaime Cintra sem a maioria dos titulares, perdeu por 3x0, caiu para a quarta colocação e deu adeus às chances de título. Diretoria e treinador avaliavam que a taça, no início da temporada, diminuiria a pressão por resultados e facilitaria as demais conquistas. O elenco frágil, carente em algumas posições, pesou na ‘eliminação’.

Entre contusões e suspensões, o time chegou a Jundiaí com seis desfalques, além das ausências de Marcinho, Edmundo e Alceu, poupados para a Libertadores. A preparação física e o departamento médico têm sido questionados. São muitos os jogadores com lesões musculares e o tempo de recuperação é longo. Leão saiu em defesa do preparador físico Fernando e poupou o sobrinho, mas o Dr. Altamiro Leite foi remanejado para cuidar da equipe B.

A torcida, insatisfeita desde a goleada sofrida em casa, 1x4 América, pede a demissão do gerente Ilton José da Costa e o afastamento de Salvador Hugo Palaia. Pela cúpula próxima a Della Monica, parte da situação (ligada a Mustafá Contursi) já é considerada oposição. Pela ala do ex-mandatário, parte da oposição (Luiz Gonzaga Belluzzo entre os líderes) já é considerada situação. Oficialmente, todos negam.

XX – O Velho Problema

Abril de 2006; primeira quinzena. O remanejamento da diretoria, iniciado há duas semanas por Della Monica, não previa mudanças no Futebol, mas o título paulista que não veio incluiu as cabeças do departamento a prêmio. Descontentes com a autonomia dada a Palaia, transferida a Leão, a grita é geral. Opositores e situacionistas miram o atual diretor e recomendam substitutos. Roberto Frizzo, cartola com trânsito razoável entre as alas, é um dos nomes sugeridos.

Lentidão e dificuldade na contratação de jogadores também motivam críticas. Os casos do volante Richarlyson, do atacante Lima e do meia Rodrigo Fabri são lembrados. A diretoria, que entrou na disputa pelos três, agora os vê treinando no CT vizinho. Juninho Paulista, que voltou ao departamento médico dois jogos após estrear em 2006, reclama falta de estrutura e pede para continuar o programa de recuperação fora do Clube, com o fisioterapeuta Nivaldo Baldo.

Em casa, entre vaias da torcida, derrotado por 2x0 para o Cerro Porteño, o Palmeiras avança às oitavas de final da Libertadores. Além do placar adverso, a batalha campal travada na volta do intervalo marcou a partida. A confusão, que teve origem no fim do primeiro tempo com um desentendimento entre Washington e Baéz, transformou-se em briga generalizada no início da segunda etapa, depois das expulsões do paraguaio e do zagueiro Douglas.


"Eu não esperava que fosse tão penoso a falta de título como é no Palmeiras."

De LEÃO, técnico do Palmeiras


XXI – A Guilhotina

Abril de 2006; mais do mesmo. Aumenta a tensão entre torcida e diretoria. Palaia, já irritado com a negociação emperrada de Rodrigo Tiuí [uma diferença entre os valores calculados pelo Clube e pelo procurador do atacante atrapalha a contratação], pensa em transferir os jogos da capital para o interior. Para o diretor, vaias e xingamentos têm prejudicado a equipe: “Os jogadores estão pressionados. Já que não se dá valor jogando aqui, vamos para outro lugar".

Na estréia no Brasileiro, 2x3 Ponte Preta, a maior organizada alviverde comanda o enterro simbólico do time. O lateral Lúcio e o volante Alceu não aguentam a pressão e pedem liberação contratual. O departamento médico sofre outra baixa com a saída do coordenador Aldo Guida. Ele pediu demissão um mês depois que o fisiologista Ivan Piçarro foi ‘rebaixado’ para o amador, por atribuir ao programa de preparação física responsabilidade pelas lesões.

A segunda derrota no Nacional, Figueirense 6x1, agrava a crise e sela o fim da era Leão. O técnico, que voltara em 2005, 16 anos após a primeira experiência [já dirigira o Palmeiras em 1989], é demitido dois dias antes do clássico pelas oitavas de final da Libertadores. Diante das circunstâncias, o empate por 1x1 contra o São Paulo é considerado bom resultado. Para o vice-presidente José Cyrillo Jr., "o time jogou mais leve” sob o comando do interino Marcelo Vilar.

XXII – O Paradoxo

Maio de 2006; déjà vu. Em jogo marcado por erros de arbitragem, o palmeirense vê o time ser eliminado pelo São Paulo nas oitavas de final da Libertadores. Protagonista, o juiz Wilson Souza de Mendonça não marcou um pênalti existente (sofrido por Washington), mas apitou um decisivo (em Júnior) inexistente. Antes, desviara a bola tocada entre palmeirenses, invertera a posse e dera inicio ao contra-ataque que resultou na penalidade máxima, fechando o placar por 2x1.

Sob comando interino, entre o continental e o nacional, dois empates e três derrotas. Adenor Bachi assume o Palmeiras lanterna do Brasileiro: em cinco jogos, um ponto somado. A sequência marca a pior largada de um grande paulista na competição, desde 1971, quando batizada pelo nome atual. Tite foi contratado depois que as duas primeiras opções cogitadas, Geninho e Antonio Lopes, fecharam com outros clubes.

Os muitos críticos da situação, entre diretores aliados e conselheiros oposicionistas, questionam a queda nos resultados em contrapartida ao aumento de investimentos. Em 15 meses, foram gastos cerca de R$ 74 milhões entre contratações, salários, manutenção e reforma do CT, além das viagens para concentração e refúgio. Paradoxalmente, o time B apresenta aproveitamento superior ao Principal. Em 2005, alcançou 52% contra 50%. Neste ano, 65% contra 54%.


"É o pior momento do clube desde que estou aqui."

De CORREA, volante do Palmeiras contratado em 2003


XXIII – A Salvação


Junho de 2006; ave, Copa! Uma vitória na estréia (2x1 para o Santa Cruz, vice-lanterna) seguida por quatro derrotas (São Paulo, Grêmio, Flamengo e Atlético-PR). Este é o saldo de Tite, antes da paralisação do Brasileiro em função da Copa do Mundo. Para o treinador, a tarefa de evitar o descenso seria "muito mais difícil" sem a interrupção. O Palmeiras fecha a décima rodada do Brasileiro em penúltimo lugar, com quatro pontos.

A pífia campanha traz consequências. De Congonhas, na volta do Rio, o elenco foi escoltado pela Polícia Militar até o Centro de Treinamento. Dias antes, o vidro da guarita do CT fora quebrado, supostamente, por torcedores palmeirenses. Edmundo, que reclamara da substituição contra o Flamengo, foi cortado por indisciplina e não viajou com a delegação para Curitiba. Os atacantes Washington e Muñoz e os meias Cristian e Ricardinho foram afastados.

Até voltar a campo, em 13 de julho, os esforços estarão concentrados nos treinos e na recuperação dos atletas. O fisiologista Paulo Zogaib, contratado em maio, assustou-se ao avaliar a forma física do elenco e observou que o desempenho era de "fim de temporada". O preparador Fábio Mahseredjian, o auxiliar Cléber Xavier e o treinador de goleiros Jorge Luís, que chegaram com Tite, terão muito trabalho pela frente.

XXIV – A Reação

Julho de 2006; recuperação pós-Copa. Após sequência de quatro vitórias, o Palmeiras reconquista a torcida e a autoconfiança. Entre os triunfos no Brasileiro, os primeiros em clássicos (Vasco e Corinthians), o primeiro como visitante (Goiás) e o primeiro com a casa cheia (23 mil pessoas contra o Paraná). O time sai da zona de degola, soma 16 pontos, e alcança a 14ª colocação.

Ao atacante Roger, 21, há dois meses negociado por empréstimo com o São Paulo, em troca do lateral Lúcio, somam-se cinco reforços. Os meias Rosembrick (Santa Cruz), 27; Marcelo Costa [Nacional (POR)], 27 e Valdivia [Colo Colo (CHI)], 22; o zagueiro Dininho [Sanfrecce Hiroshima (JAP)], 31; e o ala-esquerdo Chiquinho (Internacional), 23. Dos que atuavam no Brasil, Roger e Rosembrick estréiam. Os que vieram do exterior só poderão jogar em agosto.

Marcinho Guerreiro reapresenta-se pós-transferência européia frustrada. O volante havia saído logo depois da eliminação na Libertadores, chegou a fazer exames médicos no Olympique de Marselha, mas um problema entre intermediários e o clube francês cancelou a negociação. Afastado há quatro meses por uma lesão na coxa, Marcos volta, joga duas partidas, e sofre nova contusão que deve afastá-lo por 30 dias. Como Sérgio também está no departamento médico, o jovem Diego Cavalieri, 22, revelado nas bases, assumiu o gol.


"O que se vê é harmonia e união. Todos estão felizes, ninguém chega atrasado, todo mundo treina sério, direitinho."

De EDMUNDO, atacante do Palmeiras sobre a recuperação do time


XXV – O Invicto

Agosto de 2006; estilo gaúcho. Metódico, o treinador invicto há 11 partidas leva o Palmeiras à 11ª posição, 27 pontos somados, e agrada cartola. "O trabalho do Tite está me surpreendendo. Não esperava algo tão bom assim", elogiou Palaia. A satisfação estende-se à preparação física e à recuperação dos jogadores. Agora vazio, o departamento médico liberou os pacientes restantes. Marcos e Sérgio, embora não tenham condição de jogo, já treinam com o elenco.

A cúpula decide acionar Ilsinho. Nas bases desde 98, o lateral recém-contratado pelo São Paulo não teria dado ao Palmeiras prioridade de renovação, conforme previa o contrato. Entre alguns dirigentes, porém, circula versão diferente. Dizem que pediam a Leão que resgatasse o jogador do banco, temendo o fim do vínculo que se aproximava, e ouviam “deixa ir embora, não faz diferença”. E que Palaia, influenciado pelo ex-técnico, não teria se esforçado para mantê-lo.

O ala que recebia R$ 780 mensais, antes de sair, também pedira reconhecimento: "Meu contrato vai até 21 de junho. Gostaria de ser bem valorizado, até porque agora estou jogando". Francis, outro atleta das categorias inferiores alçado ao profissional, observa que há falhas na forma de transição das equipes amadoras à principal. O volante observou que falta um “Milton Cruz” (auxiliar-técnico e observador vizinho) no Palestra.

XXVI – O Extracampo

Setembro de 2006; política nas alamedas. Discussões públicas entre partidários do ex e do atual presidente ocorrem há meses, mas uma carta protocolada na secretaria do Clube, em agosto, oficializou o racha. O documento, assinado por Mustafá Contursi e pelos presidentes dos Conselhos Deliberativo e Fiscal, adverte sobre gastos e dívidas contraídas pela gestão em curso sem a anuência dos órgãos, além de listar possíveis consequências caso o aviso seja ignorado.

Entre junho e julho, o rombo apontado no balancete atinge R$ 5 milhões e, segundo estimativa do COF, o Clube pode fechar 2006 com um déficit ainda maior: R$ 12 milhões. A situação alega que a conta foi inflada, pois desconsiderou valores que o Palmeiras tem a receber. No entanto, receitas advindas das cotas de TV estão comprometidas até junho de 2007. A Federação Paulista antecipou ao Clube R$ 11,4 milhões referentes ao período.

Mustafá declara que não votará em ninguém ligado a Della Monica, Palaia ou Cyrillo Jr., na próxima eleição. O diretor de Futebol sugere CPI para averiguar a administração anterior e aliados do ex-mandatário ameaçam iniciar investigação sobre negociações feitas por Ilton José da Costa. Enquanto os oposicionistas bradam ter deixado dinheiro em caixa, os situacionistas justificam os gastos em melhorias necessárias, no Social e no Futebol, por eles realizadas.


"Roupa suja se lava em casa, mas, em alguns casos, está tão encardida que precisamos mandar para a lavanderia."

De PALAIA, diretor de Futebol sobre a troca pública de farpas


XXVII – O Intracampo

Setembro de 2006; reflexo nos gramados. O aproveitamento de 80% após a Copa, a ascensão da lanterna à 11ª colocação e a invencibilidade garantida por 11 jogos não foram suficientes para que Tite conquistasse o respeito de Salvador Hugo Palaia. O treinador, que reclamara dos sequentes erros de arbitragem nas últimas rodadas, pediu demissão após ouvir “cala-boca” público do diretor.

Foram três as partidas marcadas por possíveis falhas dos juízes, desconsideradas pelo cartola: contra o Santos, Leonardo Gaciba ignorou pênalti claro sofrida por Daniel. Já Giulliano Bozzano (Cruzeiro 1x0) e Alício Pena Júnior (Santa Cruz 3x2) apitaram penalidades questionáveis contra o Palmeiras. A reação do homem forte do Futebol, apesar de duramente criticada por Della Monica, não foi surpresa para a maioria dos diretores e conselheiros.

Parte dos aliados diz que a queda do gaúcho estava desenhada, à espera de maus resultados, e que Palaia criou atrito visando o pedido de demissão. Inconformado com a demissão de Leão, o diretor implicava com o sucessor constantemente e insistia em elogiar o técnico do Corinthians. Declarara, por exemplo, que o amigo estava “um degrau acima” de Tite. Marcelo Vilar assume o time na véspera do clássico com o São Paulo, mas jogadores e comissão técnica creditam a vitória ao ex-treinador.

XXVIII – O Meio-Campo

Setembro de 2006; entre campos e alamedas. Diretor e gerente sofrem pressão interna e externa, mas continuam nos cargos. O afastamento de Salvador Hugo Palaia e Ilton José da Costa, além de consenso entre oposição e maioria da situação, é imperativo também para a torcida. Constrito, o presidente ainda os mantém para garantir a reeleição. Della Monica teme que, com a ‘demissão’, perderia votos de conselheiros próximos ao cartola.

Duas organizadas alviverdes manifestam-se contrárias à permanência dos dirigentes à frente do Futebol. Enquanto uma publica ‘dossiê’ apontando falhas e contrariedades da gestão, a outra tem protestado de forma veemente em diversas ocasiões. Torcedores comuns pedem a saída de ambos em sites e fóruns de discussão. No Clube, aliados e oposicionistas questionam contratações, contestam gastos e reclamam acesso aos ‘bastidores’ da pasta.

O atacante Neto Baiano (Atlético-PR), 24, que realizara um período de testes no início do ano, mas fora reprovado por Leão, é inscrito no Brasileiro no último dia de prazo. O meia Tiago Treichel, 22, revelado no Pelotas-RS, chega do Litex (BUG) indicado por José Cyrillo Jr. A contratação chegou a ser repensada, mas a multa de R$ 19,9 milhões, prevista em caso de desistência no pré-contrato assinado pelo vice, impediu o descarte. Pela liberação, o time búlgaro teria recebido US$ 300 mil.


"O Palaia não tem os 30 votos que diz ter e, se não sair, fará o Della Monica perder os eleitores que levou 40 anos para ter."

De FÁBIO RAIOLA, conselheiro favorável à demissão do diretor


XXIX – O Ambiente


Outubro de 2006; saldo negativo. Sob o comando de Vilar, em seis partidas, o time soma sete dos 18 pontos em disputa. No clássico que fecha mês, o treinador perde a posição para o Corinthians de Leão. Com a vitória do alvinegro, que assumiu o 14° lugar, o Palmeiras caiu para 15ª colocação e ficou a quatro pontos da Ponte Preta, cabeça da zona de descenso. O jogo envolveu, além da luta para afastar os clubes do risco de rebaixamento, uma disputa particular.

Os técnicos haviam mantido diálogo áspero, via imprensa, há cerca de seis meses. À época, Vilar também funcionou como técnico-tampão e fez críticas à preparação física, chefiada pelo sobrinho do antecessor. O interino defendeu ainda a presença de um psicólogo, dispensado por Leão, e a volta do fisiologista Ivan Piçarro, remanejado para o B a pedido do ex. Assim que foi contratado pelo rival, veio a resposta: "Pato novo precisa nadar em lagoa rasa. Se nadar em lagoa funda, morre afogado e depois liga para pedir desculpas".

Obrigada a lidar com minicrises diárias, a cúpula recorre à escolta e à censura. Os protestos da torcida são driblados por seguranças que acompanham elenco, comissão técnica e diretoria. Declarações potencialmente polêmicas estão proibidas. Jogadores não podem falar sobre atraso salarial ou política interna e Palaia, apesar de mantido no cargo, é aconselhado a sair de cena para evitar confusão.

XXX – A Autoentrevista

Outubro de 2006; silêncio? Há um mês distante das câmeras, Palaia reaparece duas vezes em sete dias. Na primeira, após o presidente ter recebido carta (do conselheiro e vice da FPF, Mauro Marques) repleta de críticas ao Futebol, prestou "esclarecimentos". Deu nova versão ao cala-boca _"estava numa roda de conselheiros e acho que um microfone captou"; confirmou os empréstimos e fez campanha _"quando o time caiu, Mustafá foi feliz ao dizer que cabia a ele trazê-lo de volta. Agora é igual. Se o Clube está com dívidas, deixa o Dr. Della Monica ficar mais um mandato e pagar".

Na segunda, inaugurou uma forma de captar informação. Assim que se posicionou diante do microfone, roteiro em mãos, ele passou a perguntar e a responder. Antes, explicou: "Tenho aqui comigo algumas perguntas que sei que vocês fariam. Então já as selecionei e tenho as respostas". Em seguida, deu início à autoentrevista. – "Ele [Marcelo Vilar] será mantido? Ele fica". – "O Palmeiras será rebaixado? Não. Tenho confiança no nosso departamento de futebol".

– "O rebaixamento assusta? Assusta sim, como assusta a todos os times." – "Há o que fazer? Nesta altura do campeonato não tem o que fazer. Não dá para contratar, então temos que pensar nos jogos". Ao todo, foram 11 questões. Nenhuma ficou sem resposta. Palaia não se furtou a responder nem sobre a nota que daria ao time. Manteve o 5 de Émerson Leão, porém ressalvou que se tratava de escala do "1 ao 6".


"O que falta? Falta ganhar."

De PALAIA, em resposta a uma das autoperguntas


XXXI – O Financeiro

Novembro de 2006; em baixa. Enquanto os jogadores lutam para manter o Palmeiras na Série A, os diretores lutam para sair do vermelho: avolumam-se empréstimos e comprometem-se rendimentos futuros para saldar despesas. Após recorrer a bancos e financeiras, além de antecipar valores referentes às cotas de TV do Paulista e do Brasileiro-07, conselheiros estudam vender imóveis, propriedades do Clube, a fim de cobrir o rombo financeiro da gestão atual.

Mais de 40% da receita prevista para o ano que vem... Já foi. O Palmeiras, que antecipou cerca de R$ 18 milhões junto à FPF, ao Clube dos 13 e à Adidas, será obrigado a rever gastos em 2007. Os cortes devem reduzir o valor para novas contratações e a folha salarial, duplicada na administração Della Monica. Sem dinheiro em caixa, caberá ao próximo mandatário tentar renegociar ou reaproveitar jogadores emprestados.

Washington, Osmar, Muñoz e Alex Afonso estão entre os nomes que jogaram por outros times na temporada. Alguns, inclusive, com parte dos salários bancada pelo Clube. Claudecir, que treina separadamente desde que voltou no meio do ano, é outro exemplo. A dispensa de atletas com altos salários (entre R$100 e 120 mil mensais) e baixo rendimento, ou não aproveitados, também será opção de economia. São os perfis do meia Juninho e do goleiro Sérgio.

XXXII – A Insurreição

Novembro de 2006; ‘golpe de Estado’. Em protesto pacífico e sarcástico, a maior organizada do Palmeiras toma o poder do Clube. O ato simbólico contou com a presença de 30 torcedores, a maioria associada, que ocuparam a antessala da presidência, na sede social. Durante o ‘motim’, por cerca de duas horas, Della Monica e Palaia foram destituídos e Ilton José da Costa demitido por justa causa.

Na ausência dos afastados, sob as alegações de "negociações que geraram prejuízos, contratações duvidosas, falta de planejamento e desconhecimento total do cargo", os ‘insurgentes’ conversaram com o diretor administrativo Roberto Frizzo. Entre as reivindicações, além do afastamento imediato do gerente e do diretor de Futebol, exigem um treinador de ponta, "não um Vilar qualquer", e a renovação no quadro de conselheiros.

A insatisfação externa não é o único problema a ser resolvido. A cúpula enfrenta a queda-de-braço entre dois aliados. Palaia e José Cyrillo Jr. estiveram em lados opostos na demissão de Leão, na contratação e demissão de Tite e na ‘efetivação’ de Vilar. Mas foi o veto do diretor a indicações do vice-presidente que azedou de vez a relação. Palaia ameaçou denúncias contra Cyrillo, alegando que se opôs às negociações sugeridas (a exemplo do atacante colombiano Martin Edwin, 25) porque estariam superfaturadas. O vice negou qualquer irregularidade.


"As portas sempre estavam abertas para a torcida. Mas vou deixá-las um pouco fechadas, após eles entrarem quando eu não estava lá."

AFFONSO DELLA MONICA, sobre a ‘insurreição’ da Organizada


XXXIII – A Ponte

Novembro de 2006; ufa! O Palmeiras não cai. Porém, ao contrário do que garantira Palaia, quando perguntado por Palaia, sobre a manutenção do interino, Vilar caiu. O técnico, que não resistiu à quarta derrota em sete partidas, entregou o time a Jair Picerni, a seis rodadas finais do Brasileiro. No entanto, o comandante do Palmeiras em 2003, um dos responsáveis pelo acesso, não foi o único responsável por evitar o rebaixamento.

A permanência na primeira divisão envolve outros três treinadores: PC Gusmão, Wanderley Paiva e Geninho. Na reestréia de Picerni, Paraná 4x2, o Palmeiras não voltou à zona da degola graças às derrotas de Fluminense e Ponte Preta, respectivamente 16° e 17° colocados. Cenário que voltou a se repetir na 36ª rodada. Derrotado pelo Juventude, o Clube só não foi ultrapassado porque ambos adversários perderam.

Antes da penúltima partida, Picerni concentra o time, abalado emocionalmente, em Extrema (MG), para "trabalhar a cabeça dos jogadores". Seriam necessários apenas dois pontos, dos seis que restam, para evitar o descenso sem depender dos outros. Palmeiras 1x4 Internacional, o jogo que apresenta Pato ao mundo do futebol e que eterniza centenas de palestrinos ostentando nariz de palhaço, profetizava o pior... Mas o Goiás de Geninho venceu o time de Wanderlei Paiva e selou a queda da Ponte.

XXXIV – A Troca

Dezembro de 2006; por um triz. O Palmeiras foi ao Rio cumprir tabela, mas o empate por 1x1 Fluminense serviu de prova derradeira. Incapaz de conquistar menos da metade dos pontos restantes, estimativa que lhe permitia escapar da queda por si, o clube permanece na primeira divisão sustentado pelos erros alheios. Em 16° lugar, o Alviverde fecha o pior Brasileiro da década depois de 2002, ano sem ponte de misericórdia.

Fora de campo, o biênio termina conturbado. O que era situação transformou-se em oposição e o inverso também é verdadeiro. O Muda Palmeiras, grupo opositor a Mustafá Contursi, alia-se a Della Monica para apoiar a reeleição e assume o Futebol na figura de um dos líderes, Gilberto Cipullo. A torcida e a maioria dos situacionistas, inclusa parte da cúpula, exigiam a queda de Palaia há meses, tornando a permanência do ex-diretor insustentável.

O técnico recém-contratado é dispensado e o jovem treinador Caio Jr., que na temporada levou o modesto Paraná à disputa da Libertadores-07, apresenta-se no Palestra Itália. Ele chega com salário inferior (R$ 60 mil mensais) ao de Jair Picerni (R$ 100 mil). O período pré-eleitoral atrasa o planejamento e apenas duas negociações são concretizadas. O zagueiro Edmilson, 29, e o volante Pierre, 24, ex-paranistas indicados por Caio Jr., são anunciados.


"Os verdadeiros traidores são o Cyrillo e o Della Monica, que já conspiravam contra mim em 2004, e endividaram o clube."

De MUSTAFÁ CONTURSI, agora oposição, sobre os ex-aliados


XXXV – O Lado B


Dezembro de 2006; refugo. O oitavo técnico da gestão Della Monica não está seguro no cargo, mas já faz idéia dos problemas que o esperam caso seja mantido. Além do elenco inchado (44 jogadores se reapresentarão em Janeiro), mas carente em algumas posições, Caio Jr., terá que resolver o que fará com os ‘encostados’. Dos 103 inscritos no BID, cerca de um terço já estourou o limite de idade júnior, mas segue no Clube sem aproveitamento ou dispensa.

O número varia, mas hoje são 33 profissionais que nem pertencem às categorias inferiores, nem foram alçados ao Principal. A maioria atua pelo Palmeiras B em torneios menores e completou 20, 21 anos, recentemente. No entanto, há aqueles com idade entre 22 e 25 anos, a exemplo do zagueiro Frede, 23, ou de Wendel, 24, que teve a primeira chance quando Vilar substituiu Leão, em abril deste ano, e ‘alçou’ o volante.

Além dos ascendentes das bases, o B conta com alguns renegados, contratados para a equipe A, não aproveitados, e esquecidos por técnicos e dirigentes. O meia Claudecir, 31, é ícone deste descaso. Em 2001, assinou por cinco anos; em 2005, antes de ser emprestado ao São Caetano, teve o contrato renovado por mais dois e há dez meses voltou lesionado para uma cirurgia. Recuperado há 45 dias, restringe-se às corridas em volta do campo. Para tanto, recebe R$ 30 mil mensais.

XXXVI – O Balanço 2006

Entre 44 jogadores, sobram zagueiros e volantes, mas o setor de ataque é falho. Trazidos para o ano, 16: os beques Dininho (Sanfrecce Hiroshima), Douglas (São Caetano) e Valdomiro (Santo André); os laterais Amaral (Fortaleza), Chiquinho (Inter), Marcio Careca (Brasiliense) e Paulo Baier (Goiás); os meias Marcelo Costa (Grêmio), Ricardinho (Inter), Rosembrick (Santa Cruz), Tiago Treichel [Litex (BUG)] e Valdivia [Colo-Colo (CHI)] e os atacantes Edmundo (Figueirense), Enílton (Juventude), Neto Baiano (Atlético-PR) e Roger (São Paulo).

Alguns atletas do B, acima dos 20, tiveram chances no Principal. Os volantes Francis e Wendel, 24, até alcançaram a titularidade, mas outros, como o meia Alex Maranhão, 21, foram alçados e nem chegaram a atuar. O caso Ilsinho deflagrou problemas nas categorias inferiores. Cartolas e técnicos não dariam atenção devida à subdivisão. O goleiro Deola, promessa da Base, ressalvou sobre o episódio do ala: "tem que ver como ele foi tratado pelo clube".

O custo-benefício. Na variação de valores apresentados por situação e oposição, o time que lutou para não cair acumulou déficit entre R$ 17 e 22 milhões. Além dos empréstimos feitos, mais de 40% da receita prevista para 2007 foi antecipada para honrar compromissos financeiros. A folha salarial do Futebol, dobrada pela gestão atual, foi quitada com atraso por toda a temporada. No final do ano, até o FGTS dos jogadores foi depositado com atraso de dois meses.

Oito técnicos em dois anos custaram à SEP mais de um milhão de reais em luvas, rescisões e/ou direitos trabalhistas. Com Leão, foram gastos cerca de R$ 700 mil. A cada troca, menor o aproveitamento. Tite saiu com 48%, Picerni com 39%. Entre os dois efetivados, a interinidade de Vilar rendeu 25%. Na avaliação posterior do presidente, ficou barato. Della Monica considera que a demissão do gaúcho quase lhe custou a primeira divisão.


"Foi a minha primeira rusga com o Della Monica, ficamos uns 15 dias sem falar a mesma língua. Não queria que eu mandasse embora. Mandei."

De PALAIA, já afastado, sobre a demissão de Tite


Epílogo


Ao futuro. O palestrino ainda não sabe, mas este se consagrará o segundo pior ano da década. O Palmeiras 2006, que teve na Ponte a tábua de salvação, viu os adversários comemorarem mais de cem gols sofridos. Indefesos, zaga e torcedor foram insultados.

Estampada a manchete, “loucademia” acima do dirigente-caricatura, acumularam-se páginas e páginas de crise, enunciado comum às mais diversas narrativas. Rachas, atrasos salariais, dívidas, protestos, má-administração. Também mais de cem foram os enxovalhos. Mais de mil...

Palaiadas titânicas. Em vez de se calar, ele pergunta e ele responde. No espetáculo circense, à Nação sobrou nariz de palhaço. Negociações questionáveis, lado B exposto. O jogador que corre em círculos, no vão do descaso, atração bizarra exibida. Vergonha.

Vale a pena ver de novo?

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